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Saúde
Impetigo: infeção altamente contagiosa é mais comum no verão
segunda-feira, 13 julho 2020 11:31
O impetigo é uma infeção bacteriana cutânea contagiosa muito frequente. Estima-se que cerca de 140 milhões de pessoas em todo o mundo são infetadas em algum momento da sua vida, sendo que a sua incidência varia de acordo com a idade, clima e região geográfica.
 
Apesar de poder surgir na idade adulta, esta doença afeta sobretudo crianças entre os dois e os cinco anos, devido ao contacto direto com outras crianças infetadas, brinquedos e animais de estimação, aliadas a condições de higiene deficitárias. Entre os adultos, as causas mais comuns passam pelo contacto com crianças infetadas (heteroinoculação) e a infeção de lesões cutâneas preexistentes (impetiginização secundária).
 
Segundo Miguel Trincheiras, dermatologista e diretor da clínica Derme.pt em Lisboa, “no verão, o número de casos de impetigo tende a aumentar, sobretudo porque as temperaturas mais elevadas favorecem a propagação da infeção, o nosso corpo fica mais exposto, os cuidados de higiene muitas vezes diminuem e o contacto interpessoal também é maior”.
 
Além dos sintomas como dor, prurido, desconforto, bolhas e marcas na pele, a sintomatologia é, muitas vezes, responsável por um forte estigma social, devido à presença de erosões e crostas visíveis na pele, e pela associação a uma higiene deficitária. Ainda mais perigoso são os raros casos de atingimento renal secundário, podendo conduzir a lesões renais definitivas (glomerulonefrite), por imunidade cruzada. Por ser altamente contagioso, é aconselhado o isolamento parcial das crianças com impetigo, de forma a evitar a sua transmissão.
 
O médico especialista acrescenta que “é importante ficar atento aos primeiros sinais por forma a garantir um diagnóstico atempado e evitar a evolução da doença. Um tratamento adequado permite reduzir a propagação da infeção, acelerar a sua resolução, e impede a sua progressão para condições mais graves. Além disso, a criança aceitará melhor um tratamento que permita melhorias mais rápidas para poder continuar a usufruir da sua liberdade”.
 
Em alguns casos ligeiros de impetigo, a cura é espontânea, mas lenta e mantendo a contagiosidade. O tratamento do impetigo, prescrito por um médico, é fundamental tanto para tratar a doença de forma eficaz, como para prevenir o uso incorreto de antimicrobianos, uma ameaça constante na eficácia do tratamento de infeções comuns, responsável por piores resultados nos doentes, conduzindo a potenciais resistências bacterianas e aumentando a carga económica dos sistemas de saúde.

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