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Saúde
Portugueses têm acesso condicionado ao medicamento que previne o VIH/Sida
sexta-feira, 17 julho 2020 12:28
O confinamento motivado pela pandemia da COVID-19 originou, entre várias consequências, a diminuição do número de pessoas que recebem medicação que previne o VIH. A diretora do Programa Nacional para a Infeção VIH/Sida, Isabel Aldir, afirmou que a situação está a ser analisada pelas autoridades.
 
Com a situação de isolamento, Isabel Aldir considera que “muitas das pessoas que estavam em risco acrescido de infeção durante o período do confinamento deixaram de estar e, portanto, deixaram de ter necessidade de ter acesso à PrEP”. No entanto, reconhece que “internacionalmente, a pandemia trouxe na questão da PrEP um prejuízo que estamos todos a tentar ver o quão grande foi”.
 
Estes prejuízos poderão integrar o aumento do tempo de espera e a possibilidade de várias pessoas terem contraído a infeção porque não tiveram acesso ao medicamento, algo que está a ser avaliado agora, com o apoio do Fórum Nacional para a Sociedade Civil para o VIH/Sida, Tuberculose e Hepatites Virais, sendo que, na ótica de Isabel Aldir, “à partida, as consultas e as pessoas que estavam a fazer PrEP mantiveram-se a fazer, não se iniciaram foi maioritariamente novas consultas”.
 
Nesta comissão parlamentar de Saúde, que se realizou dia 15 de julho, o deputado social-democrata Ricardo Baptista Leite avançou que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, anunciou que “não vai aceitar novas pessoas para iniciar em breve” o tratamento, mostrando não compreender “porque é que não se deixa fazer PrEP fora dos hospitais e, eventualmente, até por iniciativa da sociedade civil”, uma vez que “a questão financeira já não se coloca” porque “a medicação hoje está disponível sob a forma de genérico”.
 
Também Ana Rita Bessa, do CDS-PP, questionou porque razão a medicação não pode ser disponibilizada noutras estruturas públicas, observando que a população-alvo da PrEP seria de 12 mil pessoas, mas apenas entre mil a 1.200 “estão de facto a ser abrangidas”. Moisés Ferreira, deputado do Bloco de Esquerda interrogou ainda Isabel Aldir sobre se está prevista a criação de consultas comunitárias para início de PrEP, e a alteração do estatuto para que a dispensa do medicamento deixe de ser exclusivamente hospitalar.
 
Em resposta aos deputados, Isabel Aldir afirmou que a dispensa da PrEP deve ser alargada, dado que “se estamos a considerar uma estratégia de prevenção, existe algum contrassenso, porque as prevenções devem estar o mais facilitadas e o mais descentralizadas possível” e não assentarem exclusivamente em consultas hospitalares, sugerindo o trabalho consertado com os cuidados de saúde primários, organizações de base comunitária e medicina privada.
 
Esta posição foi partilhada pelo presidente do Fórum Nacional para a Sociedade Civil para o VIH/Sida, Ricardo Fernandes, afirmando mesmo que se reforçasse a capacidade dos hospitais, “nunca terão a capacidade necessária para abarcar este investimento”. Ricardo Fernandes salientou ainda que “se esta estratégia falhar especialmente em Lisboa, que é onde temos a concentração maior de casos pelo VIH, provavelmente poremos em causa” o objetivo traçado pela ONUSIDA de ter, em 2030, 95% das pessoas diagnosticadas, 95% destas a receberem tratamento e 95% das pessoas sob terapêutica atingirem a supressão vírica.
 
Fonte: Agência Lusa

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