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Saúde
Convenção Nacional da Saúde propõe programa excecional de recuperação das listas de espera
terça-feira, 21 julho 2020 11:13
A Convenção Nacional de Saúde (CNS) propõe um programa face à urgência de retomar a prestação dos cuidados de saúde a todos os doentes não COVID-19. Esta posição surge em resposta à preocupação manifestada por associações de doentes e profissionais de saúde sobre o impacto da pandemia da COVID-19.
 
Após ter-se reunido durante a semana passada, a Comissão Organizadora da CNS apela ao Ministério da Saúde que seja imediatamente planeado e lançado um programa excecional de recuperação das listas de espera geradas pela COVID-19. Ciente de que a luta nacional contra a COVID-19 foi da maior importância para mitigar a pandemia, a comissão alerta agora que não se pode ignorar o impacto tremendo que esta situação gerou em toda a atividade assistencial.
 
O Ministério da Saúde já reconheceu publicamente que até ao mês de maio os hospitais do Serviço Nacional de Saúde fizeram menos 85 mil cirurgias e menos 902 mil consultas, das quais 371 mil eram primeiras consultas. No caso dos cuidados de saúde primários terão ficado por efetuar três milhões de consultas.
 
De acordo com as normas da Direção-Geral da Saúde (DGS), muitos dos exames de diagnóstico tiveram de ser adiados. As análises clínicas estiveram paradas a 80%, Imagiologia a 95% e Gastroenterologia e Cardiologia quase a 100%. Quanto à Oncologia, em maio, o número de cirurgias caiu 42% no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa, 31% no IPO do Porto e 25% no IPO de Coimbra. Neste período terão ficado por diagnosticar e, como tal, estarão sem o devido acompanhamento mais de 15 mil tumores malignos.
 
Considerando que o aumento das listas de espera, cirúrgica e de consultas e a não realização dos necessários exames de diagnóstico se tornaram o problema número um da saúde em Portugal, foi lançado o movimento #SOSSNS, apoiado pela CNS, que visa “aumentar o acesso a todos os cuidados de saúde e através de Programa Excecional resolver as listas de espera para cirurgias, consultas e exames complementares de diagnóstico e terapêutica, num exercício de apuramento real das necessidades e de aproveitamento dos recursos existentes, tendo como meta recuperar a atividade prejudicada pela COVID-19 e cumprir os Tempos Máximos de Resposta Garantidos (TMRG) em todas as especialidades.”
 
O CNS reitera ainda a urgência de outras decisões na atual conjuntura de dificuldade do acompanhamento dos doentes não COVID-19, como:
 
• O desenvolvimento de Vias Verdes, promovendo uma melhor articulação entre os cuidados de saúde primários e os cuidados hospitalares;
 
• A expansão da hospitalização domiciliária, da telemedicina e da medicina à distância na monitorização e seguimento de doentes crónicos;
 
• A garantia de proximidade na dispensa de medicamentos.
 
 
As Associações de Doentes que integram a CNS consideram ainda prioritário:
 
• Assegurar a comunicação entre o doente e o profissional de saúde por canais alternativos ao presencial (e-mail ou telefone direto), de forma a evitar a ida a urgências ou espaço de consulta hospitalar, garantindo a comunicação atempada de reações ao tratamento bem como estreitar a relação de confiança entre o cidadão e os profissionais de saúde;
 
• Garantir o registo normalizado, interoperável e seguro de dados clínicos da gestão em saúde, incorporando Patient Report Outcome Measures (PROMs, permitindo a melhoria da eficiência do tempo de consulta e da relação médico-doente, uma maior humanização dos cuidados de saúde, a proteção da privacidade do indivíduo, ao mesmo tempo que contribui de forma segura para a investigação científica, histórica e estatística.
 
• Promover a saúde mental do cidadão mais vulnerável permitindo o acesso a cuidados dedicados de profissionais de saúde especializados, promovendo a diminuição do impacto na saúde dos indivíduos com origem no isolamento forçado que vivemos nos tempos da pandemia, na crise económica e social que se avizinha, e da ansiedade gerada pela possibilidade de uma segunda vaga da pandemia provocada pela COVID-19.

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