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Saúde
Hospital de Santarém desmistifica Cuidados Paliativos
quinta-feira, 15 outubro 2020 10:26
O Hospital Distrital de Santarém lançou um projeto dirigido à população em geral, e também aos profissionais de saúde, para desmistificar as ideias em torno dos Cuidados Paliativos (CP).
 

Todos os anos, no segundo sábado de outubro, celebra-se o Dia Mundial dos CP, que é organizado por um comité da Worldwide Hospice Palliative Care Alliance. Em 2020, coincidiu com o dia 10, tendo-se focado em amplificar a mensagem “Palliative Care: it's ‘My Care, My Comfort’”.

Muitos relacionam os CP com os Cuidados Continuados, porque, até há cerca de quatro anos, estavam incorporados nos segundos, mas tornaram-se independentes com a formação da CMNP – Comissão Nacional de Cuidados Paliativos. Esta assegura, ao nível nacional, a RNCP – Rede Nacional de Cuidados Paliativos.

A RNCP está dividida em três grandes áreas: as ECSCP – Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, que são 29, mas há regiões que não têm; as EIHSCP – Equipas Intra-hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos, que são 45, uma por cada hospital; e as UCP – Unidades de Cuidados Paliativos (internamento), das quais existem 14, com apenas 168 camas no total. Além disso, há seis EIHSCP-P – Equipas Intra-hospitalares de Suporte em Cuidados Paliativos Pediátricos.

Todas as equipas de CP são multidisciplinares, uma vez que têm médicos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e assistentes espirituais – na maior parte delas, é o padre que dá o apoio religioso. As UCP têm, ainda, terapeutas ocupacionais e fisioterapeutas.

Muitas vezes, as famílias acreditam que, a partir do momento que têm um doente paliativo, que este será internado numa das unidades, mas só existem 168 camas. E as próprias UCP, que já são limitadas, também obedecem a critérios, os quais são desconhecidos pela população.

Além da falta de conhecimento, há vários mitos sobre CP, que são transversais a toda a população e até mesmo aos profissionais de saúde. No âmbito da efeméride, a equipa de CP do HDS – Hospital Distrital de Santarém, coordenada pela anestesiologista Ana Ricardo, lançou um projeto para desmistificar alguns deles. Cada um dos seus membros criou um póster, onde explica um mito que envolva os CP e o seu esclarecimento. As mensagens são acompanhadas pela identificação e fotografia do autor, de forma a torna-las mais familiares, tanto para os doentes, como para os profissionais de saúde.

Ana Ricardo refere que as mensagens que passam são as dúvidas que as pessoas têm. Já ouviu, por exemplo, “vai pôr morfina? Isso é fim de vida”. Quando também a prescreve – é anestesiologista – após as cesarianas e “as mães não estão a morrer”, conta, acrescentando que tem de explicar aos doentes que não estão em fim de vida e, ainda assim, alguns recusam fazer morfina. Outro exemplo que deu foi os opioides. “O fentanil é muito conhecido nos Estados Unidos e muito associado à adição. Aqui, em Portugal, esse mito ainda não chegou bem, mas alguns doentes mais instruídos dizem "o fentanil é muito perigoso, não quero fazer’”.

Muitos doentes, quando são referenciados precocemente e recebem a carta para irem a uma consulta de CP, ficam “desgostosíssimos” e pensam que vão morrer. A médica explica que acontece muito, o que fazem é, quando começam a ganhar a confiança do doente na consulta, acabar por brincar e dizer “a sério que achou que lhe íamos fazer mal hoje?”, de forma a tranquilizá-lo.

“Associam-nos muitas vezes à morte, aparecemos muitas vezes em cartoons com uma toga preta e uma gadanha. O que fazemos é celebrar a vida enquanto ela existe, não somos a equipa da morte, somos a equipa da vida até ao último suspiro. Queremos promover essa qualidade de vida e que as pessoas morram tranquilas, sem sofrimento. Felizmente, agora, são menos as vezes que não é possível”, conclui.

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